Artrite reumatóide: podemos falar em boas notícias?

A artrite reumatóide é uma doença que gera uma reação inflamatória crônica, caracterizada por dores e inchaço nas articulações - principalmente nas mãos e pés - nódulos, vermelhidão e deformidade nos membros afetados e, até mesmo, incapacidade física.

O número de pessoas convivendo com essa doença é alto (aproximadamente 2 milhões de brasileiros) e por isso desperta o interesse de muitos cientistas e pesquisadores que trazem novidades sobre o tratamento, diagnóstico e as perspectivas sobre a doença, mesmo em meio a certa obscuridade no conhecimento de suas causas. O que há de novo e interessante para saber sobre artrite reumatóide? Vejamos...

DÁ PARA PREVER OU EVITAR? Pesquisas sugerem que, mesmo que o sujeito não apresente nenhum sintoma, seu organismo já passa por mudanças que levarão à enfermidade até 15 anos antes do prejuízo às articulações. Isso ocorre devido a um aumento silencioso de substâncias maléficas relacionadas à artrite. A notícia é animadora porque isso abre caminho para um contra-ataque, inclusive com remédios, antes de os primeiros sintomas aparecerem. Apesar de ser um conceito precoce, deve evoluir bastante nos próximos anos. PEGAR PELO ESTÔMAGO? O trocadilho cabe aqui, mesmo que não se trate de uma doença infecciosa (ou seja, não se "pega"), estudos recentes indicam uma relação entre o desequilíbrio na microbiota — conjunto de micróbios que habitam parte do sistema digestivo — com o surgimento e a gravidade do mal que inferniza as articulações. Os indícios apontam que quem tem artrite possui determinadas bactérias em maior quantidade na sua flora intestinal. Essa notícia abre novas perspectivas, porque pode ajudar até mesmo no diagnóstico da condição. Em experimentos de laboratório, cobaias com a doença foram tratados com probióticos (produtosa alimentícios contendo "bactérias do bem") e apresentaram melhoras nos sintomas. Resta saber se uma abordagem similar surtiria efeito em seres humanos. O QUE HÁ DE NOVO NOS TRATAMENTOS? Durante muito tempo, boa parte dos casos eram tratados com medicações injetáveis. No entanto, avanços com o medicamento baracitinibe, que inibe uma proteína envolvida no processo inflamatório da doença e tem a vantagem de ser um comprimido, vêm mostrando resultados superiores ao tratamento-padrão. Apesar dessa substância não ter nenhuma previsão para chegar no Brasil ainda, existem outros comprimidos que já facilitam a rotina dos portadores da doença, com novas drogas disponíveis no Brasil, como a tofacitinibe. Ainda falado de medicação, uma notícia boa para quem já está em tratamento é que a ida a farmácia pode ficar mais econômica! O infliximabe é o primeiro remédio da classe dos biossimilares de alta complexidade a ser liberado no Brasil. Prescrito para combater a doença, ele é produzido a partir de moléculas biológicas já existentes e promete reduzir o preço final de compra em cerca de 25% (já que deixa de ser feita a cobrança pela patente). QUAL A MELHOR HORA PARA TOMAR MEDICAÇÃO? Pelo menos no que diz respeito ao uso de corticóides, um reumatologista italiano, chamado Maurizio Cutolo, que já foi presidente da Liga Européia contra o Reumatismo, indica que seu uso seja feito antes de dormir. Isso porque esses fármacos imitam a ação do hormônio cortisol que ajuda a inibir a inflamação e, assim, aliviaria o desconforto que a maioria dos pacientes sentem de manhã. Essa dor matutina tem uma explicação simples: ao longo da noite a resposta inflamatória é mais intensa e quando o paciente acorda, a dor já está ali. Por isso, a estratégia de tomar o medicamento antes de ir para a cama é uma boa pedida! QUALIDADE DE VIDA Quando não é tratada de maneira adequada e no momento correto, a artrite reumatóide pode acarretar dificuldades para realizar até mesmo tarefas do cotidiano. Esse fato pode impactar a qualidade de vida dos pacientes e pode levar à depressão. Por isso, além da atenção aos sintomas físicos, o cuidado com a saúde mental é indispensável. A doença realmente exige um grande cuidado e muitos medicamentos. Por isso não é de se admirar que 83% dos que sofrem com a doença desejem tomar menos remédios, mas tudo isso precisa ser administrado com cuidado, e as novas pesquisas e descobertas podem contribuir para isso a longo prazo. Outra descoberta, dessa vez nem tão animadora, foi feita no curso de farmácia da Universidade de Brasília. Dentre os 103 indivíduos com artrite reumatoide analisados, 77% deles se esqueciam de usar os fármacos, 45% diminuíam as doses sem orientação médica e 25% desistiam dos remédios por conta própria. Os dados preocupantes dessa pesquisa refletem o que outros profissionais já vinham alertando: a necessidade de se manter um diálogo sincero entre médico e paciente. Se você estiver enfrentando dificuldades no tratamento, o melhor a se fazer é procurar novamente a ajuda médica, para que assim possam chegar a uma nova terapia que se encaixe nas suas demandas e cumpra o seu papel na inibição dos sintomas. Por isso enfatizamos aqui que o abandono da terapia pode trazer sérios prejuízos, como a deformidade e perda da capacidade física. E apesar de todas essas novidades apresentadas nesse texto, é sempre bom lembrar que abandonar um tratamento recomendado por seu médico para se aventurar em tratamentos alternativos não é uma escolha assertiva.

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